sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

É PRECISO ANUNCIAR A SALVAÇÃO AOS POVOS DAS AMÉRICAS.


As Américas (do Sul, do Norte e Central) são grandes continentes, com quase um bilhão de habitantes e 35 nações, além de diversos territórios e dependências européias. Destas, 21 compõem a chamada América Latina. Colonizado por países cristãos (Espanha, França, Holanda, Inglaterra e Portugal), o continente foi, por muito tempo, considerado cristão, ou pelo menos cristianizado. A evangelização foi centrada no trabalho em massa, sem conversão pessoal, e marcada pelo colonialismo que, na ânsia de enriquecer os empreendimentos europeus, quase dizimou as populações indígenas.

Passados mais de 500 anos, constatamos que a afirmação está longe de ser verdade. Primeiramente, é preciso fazer uma distinção entre os termos cristianismo e cristandade. O primeiro tem a ver com uma cultura, uma civilização, uma autodesignação. O segundo tem a ver com um estilo de vida, uma confissão de fé e prática fundada nos valores de Cristo. Sem medo de errar, afirmamos que o continente americano faz parte da cristandade, mas não é cristão! O sincretismo religioso, que aliou o catolicismo romano com elementos da religiosidade africana e pré-colombiana é patente. Em países como Brasil, Peru, Bolívia e Haiti as pessoas se dizem cristãs mas praticam, ao mesmo tempo, rituais animistas. Os índios aymaras e quéchuas, na América do Sul, por exemplo, seguem adorando nas montanhas o sol e outros elementos da natureza. No Haiti, a prática do vodu tem mergulhado aquele país na mais profunda pobreza material e espiritual. Até mesmo países ditos protestantes, como Canadá, Jamaica e Estados Unidos, vêm experimentando uma busca incessante por práticas religiosas supersticiosas.

Outro grande desafio é o secularismo. No Canadá, em Cuba e no Uruguai as pessoas estão longe de Deus, que para elas não passa de um personagem fruto da superstição humana, no mesmo nível das fadas, dos gnomos ou entes do folclore local. Coincidentemente, aumentaram os casos de depressão e suicídios em países como o Chile, o Uruguai e o Peru. Os percentuais daqueles que se dizem não-religiosos ou ateus têm crescido. Soma-se a isso a invasão de grandes religiões, como o islamismo, o hinduísmo e o budismo, que têm encontrado nos corações vazios dos americanos um campo fértil. Em países como Trinidad e Tobago, Suriname e Guiana o número de praticantes dessas religiões é grande.

Além desses, no Paraguai, no Brasil, no Canadá e nos Estados Unidos cresce vertiginosamente o número de muçulmanos. É diante desse quadro preocupante que Missões Mundiais decidiu enfatizar a América nos próximos dois anos, especialmente a América Latina. Não podemos conviver com o percentual de apenas 14% do total da população que afirma ter Jesus Cristo como seu único e suficiente Salvador. Se levarmos em conta a América Latina, esse número é ainda menor. Apenas a Guatemala tem um percentual grande de evangélicos (em torno de 40%), seguida de Honduras (30%) e do Brasil (com os duvidosos 20%). Países como Argentina, Bolívia, Cuba, Equador e Venezuela têm menos de 5% de evangélicos em sua população. No Canadá e nos Estados Unidos o número de evangélicos tem caído.

Em termos de batistas, excetuando-se o Brasil e os Estados Unidos, apenas no Canadá e no México somos mais de 100 mil membros; e a grande maioria dos países não possui mais de 50 mil batistas. Embora estejam presentes em todos os países da América Latina, os batistas não representam 3% da população. A maioria das convenções nacionais são fracas, dependentes e sem visão missionária. A falta de liderança é evidente e a quantidade de igrejas fechadas assusta. A maioria das igrejas batistas latino-americanas não tem mais que 50 membros e grande parte delas não tem um pastor ou líder treinado para conduzi-las. Os seminários têm fechado por falta de recursos e corpo docente.

Diante desse quadro, algumas coisas precisam ser feitas:

• Conscientizar o povo batista brasileiro da real situação do continente americano;

• Desafiar vocacionados para atender às necessidades desses países;

• Enfatizar a formação de liderança como elemento alterador do quadro atual;

• Voltar à prática da missão integral da igreja, visto estarmos falando de um continente, em seu conjunto, subdesenvolvido;

• Trabalhar lado a lado com as convenções nacionais no seu processo de implementação ou ampliação da visão evangelística e missionária.

Cônscios de nossa responsabilidade como crentes e batistas brasileiros, conclamamos a todos para que, de mãos dadas, possamos levar a verdadeira bandeira do Evangelho desde as grandes cidades às vilas e aldeias de nosso continente, a fim de que o Senhor seja de fato o Salvador das Américas.


Pr. Mayrinkellison Wanderley
Coordenador da Junta de Missões Mundiais para as Américas

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